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janeiro 14, 2012

Fomos ao Teatro

Digitalizei e dividi os textos que constam do programa que  foi entregue à entrada e que, se lidos antes, nos teriam  proporcionado um melhor entendimento do espetáculo a que assistimos.



A estrutura a que obedeceu o texto cénico:



Aqui temos um resumo do romance de Herculano:



Finalmente, chamo a atenção para estas palavras finais, abaixo transcritas: Garrett, na mesma altura (1843 e 1844), criava, tal como Alexandre Herculano, o seu "fantasma histórico", o Frei Luís de Sousa.

 


Os rituais

Quando uma sociedade perde a necessidade e a memória dos rituais, entra em decadência, perde referências.
Ir, em grupo, assistir a um espetáculo é, simultaneamente, cumprir um ritual em que libertamos as nossas tensões diárias (catarse) e um ato de cultura de que se aprende a gostar!, indo ao encontro de memórias que ajudam a preservar a  nossa identidade ancestral e nacional. Neste caso, ver desfilar perante os nossos olhos, tão perto!!- a sala era pequena..- a "representação" do nosso passado, através de temas  sempre atuais: o Amor, a Liberdade, a Traição, a Morte.

Busto de Almeida Garrett, no átrio do Teatro D. Maria II
(Por "maleita", não pude assistir ao final da peça. Para compensar, permitiram que eu tirasse uma foto que testemunha a presença.)

As atrizes, retirado do programa

Quero deixar aqui expressa a minha profunda satisfação pelo número de alunos que pôde estar presente; e salientar a maturidade e sensibilidade que revelaram. Foi muito bonito e gratificante ver a sala cheia de jovens da "minha" escola: a António Arroio. Esta atitude faz com que sinta renovadas a vontade e confiança para repetir!!
A companhia dos professores Ana A., Alexandra e Dionísio (que não foram tomar conta!!) contribuiu para que esta experiência tenha sido tão agradável.

janeiro 10, 2012

Eurico, o presbítero: um romance do tempo em que uma bela donzela se podia chamar Hermengarda...

Alexandre Herculano, escritor romântico português, contemporâneo de Almeida Garrett, escreveu vários romances históricos cuja ação se localizava na Idade Média. É o caso de Eurico, o presbítero, que inspirou a peça que iremos ver representada: A paixão, segundo Eurico.
A ação decorre no século VIII, tempo  em que os Godos reinavam, tempo em que os Árabes invadiram a Península, tempo de batalhas, de afirmação e de tentativas de imposição de crenças religiosas, tempo de "Guerras Santas".
Eurico vê-lhe negada a possibilidade de casar com a mulher que amava, Hermengarda, filha do rei e irmã de Pelágio. Refugia-se no Presbitério, sublimando o seu amor na entrega a Deus e na bravura suicida com que combatia os infiéis.
Mais tarde, Hermengarda, sem saber que fala com Eurico, que se ocultava num manto negro, para que ninguém o reconhecesse, confidencia-lhe o seu amor por "esse" homem. Eurico rejubila e, num impulso, julga, finalmente, poder concretizar os seus sonhos de felicidade. Mas, rapidamente, se lembrou de que a sua vida estava entregue a uma causa maior, a Deus, e, por isso, lhe estava vedado o casamento.
Hermengarda delira, enlouquece, perante esta revelação! Eurico cavalga, loucamente, para a batalha, onde, provavelmente, encontrará a morte!

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Alexandre Herculano foi influenciado pelo escritor escocês, Walter  Scott, que fomentou o gosto pelos romances históricos. São dele obras como Ivanhoe (com Robin Hood), O talismã (no tempo do rei Ricardo Coração de Leão) e A noiva de Lammermoor, também ela uma mulher que enlouquece. Nesta última se inspirou Donizetti para compôr a ópera (quase) homónima.